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- Maria Sobral
- É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com
Tuesday, 21 September 2010
Meu Calor
Meu Calor
???????
Está
Vc
??????
Ando, Ando, Ando, Ando
A Pé
Aos Pés
Ando, Ando, Ando, Ando
Passo Mal!!!
E Nada
?
Thursday, 16 September 2010
O Cheiro De Breu
Era dele. O violinista era emocionante. Tinha aprendido com o seu professor infantil que nenhuma perturbação o tiraria da linha musical. E assim foi sempre de uma concentração extrema para a arte. Nenhuma porta alheia aberta à desventura o tiraria do seu prumo musical. Ritmicamente, ele tinha um pé sempre a diposição em compasso simples quatro por quatro. Bastava-lhe. Andava timididamente pelas ruas, pegando ônibus por falta de luxo, e as meninas o ignoravam. Ele não era sensível para o sensual. Era sensível para a arte. A arte e os artistas o reconheciam como promissor. Não as meninas. Aquela trouxinha de pano sintético envolvida em breu Pirastro estava em mãos como digitais. O cheiro impresso como definitivo. Seu violino quatro por quatro não tocava maravilhas mas era um vintage russo. Uma relíquia. O arco não era original mas ninguém notaria isso caso ele estudasse um pouco mais e fosse mais rápido e ágil na sustentação do braço. Os minuetos de Bach tinham pouca importância, mas na escola ele adorava mostrar uma partitura aos mais sabidos e perguntar se ao começar daquela música o arco iria rumar para cima, ou para baixo. Era o crucial do musical para o instrumento, a técnica do artista. A sincronização do movimento é imprescindível para ele, o pequeno violinista. Afinal, qualquer arte que envolva corpo, e não somente mente, começa-se cedo. O violinista ganhou uma bolsa e do Nordeste foi diretamente para Zurique, Suíça. Poucos entenderam. Mas, também ínfimos estudaram. Então, não havia o que entender. Na estratégia do violinista não havia a divindade de nenhum santo envolvida. Havia apenas a dedicação, a ignorância dos sons alheios, a coreografia dos movimentos de arco, e o sentimento pelas notas. Aí, sim. Ela poderia fechar os olhos, estudar oito horas por dia, esfolar seus dedos, não ter unhas, chorar ao não conseguir uma nota dedilhada sem a devida marcação, insistir um pouco mais e dormir. Ao acordar, ele sentiria um silêncio insuportável, comeria, leria, estudaria e não saberia o que faltava. Até que tocasse..... E tudo faria sentido outra vez.
Monday, 6 September 2010
Não Haveria Ensaio, Trabalho Ou Estudo
vídeo_ grupo de estudos Capobianco - Intercâmbio Sinisterra
Que tirasse da mente daquela mulher o pequeno livro dos 'Coquetéis Oficiais'. Aquele pequeno livro um dia mostrado pelo bartender do estabelecimento do seu noivo era a sua atual obsessão. Desde que tinha chegado de Salvador e tentava ser o que realmente queria ser dedicava-se ao seu crescimento pessoal e até tinha outros livros mais importantes na cabeça. Porém, também desde a chegada daquele comerciante da boêmia em sua vida, com seus livros acompanhados de uísque lidos no balcão de mármore do seu estabelecimento intelectual, a leitura mínima tinha tomado uma proporção estrondosa entre ofertas de drinks e beijos. A obsessão não foi por sua vocação em apreciar a leitura de qualquer texto, inclusive a explicativa dos drinks, e sim pela representação do domínio que aquele livro exercia no negócio do seu noivo. O mesmo já estava empreendido em outros negócios com aquele indo já tão bem. Drinks ainda representavam grande parte do lucro da bar. E ela, perdendo território e atenção antes mesmo do casamento oficial, desesperava-se achando que o manual 'Coquetéis Oficiais' seria o retorno de sua glória. Glória de noiva e futura mulher indispensável. Na leitura dinâmica daquelas folhas notou que não havia um drink feito de suco de beterraba no manual de químicas tragáveis oficial. Perguntava ao bartender se ele teria um outro conhecimento de um drink feito com o suco da beterraba, enquanto o noivo ao seu lado realmente preocupava-se com o caixa, as cadeiras vazias e a administração das mesas do bar. Além da aparência das outras mulheres que frequentavam o seu lugar intelectual. Por insegurança, largou todos os ensaios, trabalhos, estudos, buscas da verdade pessoal para uma intensa semana de 'estágio' nos negócios do noivo. Planejava ser a dona do contracheque daquele futuro lar, quando o mesmo existisse, planejava prender o seu homem através do que para ele era importante, o tal fluxo do caixa. Depois dessa semana, resolveu assumir a gerência temporária do lugar e tornava-se a hostess mais baiana, decotada, intelectualizada, brasileira e agradável daquele lugar. E poucos eram os tempos em que se sentava ao balcão acompanhando o noivo em leituras laceadas de uísque, margarita e mojito. O bartender, outrora amigo, agora odiava a nova gerente que ainda tentava a inovação do drink de beterraba às vezes rindo do fato de que nem o dono do lugar aguentava aquela obsessiva de bolsa enorme a tiracolo e idéias muito delegáveis, contudo pouco executáveis. Nem notava que de nada tinha adiantado a resolução em aprender todos aqueles drinks, misturas, químicas. Era inútil. O que antes era um esforço de amor, companheirismo tinha tornado-se a obrigação de trabalhar para o que ainda não tinha feito dela o que a modos antigos diria-se 'uma mulher honesta'. Enquanto fechava aquele caixa todas as noites, imaginava onde estaria o verdadeiro dono daquele lugar e do seu sentimento deixando mensagens educadas, calmas e desesperadas de 'por favor, liga para mim' nas três caixas postais do outrora amante atencioso. Pensava agora em pedir sociedade do lugar, e tinha a curiosidade consigo mesma de saber se esse pedido poderia ser feito antes ou depois do tal prometido casamento, com medo que isso fosse talvez a ruína dos seus planos. E enquanto isso, presa ao balcão do bar que tanto quis comandar outras vezes, imaginava onde estava o que a oferecia os mais lindos drinks e a levava para casa ébria após a leitura em público de dez agradáveis páginas dos livros que realmente significavam o seu máximo pessoal. Sentia falta do ensaio, do trabalho árduo não remunerado, do estudo e lamentava. Olhou-se no espelho e viu o que era agora. Uma mera dedicadíssima gerente de bar que desesperadamente, e às vezes, dormia com o dono ausente. E assim foi o início do que viria por anos e anos de trapaça e golpes. E assim foi o início do caixa dois...
Wednesday, 1 September 2010
Tuesday, 31 August 2010
Wednesday, 25 August 2010
Queria Voltar Para Casa
Pertencer ao seu par, ficar protegida. Mas tinha que sair todas as noites. Dispensava os telefonemas, sumia na noite, misturava-se entre os notívagos e os inquietos, entre os boêmios e trabalhava pelas noites todas afora dispensando a sua própria casa. Sentia falta da casa e ao mesmo tempo desprezava aquele lugar monótono. Não tinha um par, culpava a singularidade do seu momento, assumia que não conseguiria se dedicar a um duo, e ainda assim queria voltar para casa. Quando estava fora de casa, pensava em quem estaria em casa naquele momento. Assim que punha os pés fora de casa, pensava no que havia esquecido dentro do lar e hesitava em continuar no passo apressado, em frente. E quando passava horas fora do lugar onde somente a sua chave trancava, e mais nenhuma outra, no seu local de proteção daquela obsessiva exposição. O tema era apenas a falta de uma cópia útil. Se perdesse aquele molho de objetos, teria que chamar o Seu ou São Sebastião arrombador de portas, o chaveiro da vizinhança. Sentia falta da primeira casa, da segunda, da terceira e já não sabia se queria voltar para a quarta. O que seria uma casa? Titubeou ao responder, ponderou, teria conhecimento da denominação da palavra? Saberia desenhar um significante da mesma, porém, e o significado? E ligava para todos que estavam em casa em um domingo noturno para que saíssem com ela. E vivessem e esquecessem o opressivo pensamento de uma casa.
Thursday, 19 August 2010
Wednesday, 18 August 2010
Qual Seria A Relevância
De uma pedrinha de gelo a mais em um suco de laranja dentro de uma noite fria? Já que a servente daquela padaria a havia oferecido como cortesia, talvez, a relevância fosse a de um 'porquê não?', 'será? porquê não me servir mais?'. Aquela pedrinha a mais nem faria diferença naquela taça de suco de laranja. E a menina ruiva, ainda acostumada com as ofertas bondosas da vida na casa da sua mãe, achava que qualquer extensão de uma oferta na rua deveria ser aceita. Ao lado da menina ruiva falante estavam os que tinham pressa em matar a fome, em transcrever algo da mente em papel ou apenas pressa em ter o produto em mãos, pagar no caixa do estabelecimento e satisfazer a família com o pão da noite. E quantos segundos da atendente ocupada seriam gastos nesta 'uma pedrinha a mais'? Para a menina ruiva isso pouco interesava. Após a padaria, ela também encontraria duas novas pessoas na recepção do seu curso noturno e antes de entrar em sala de aula, entendendo que as duas eram xarás, perguntaria a elas qual das duas 'teria um apelido' enquanto ela continuaria a ser chamada pelo seu nome completo. Ela ainda seguiria para uma aula na qual não entenderia nada e, constantemente, faria perguntas sobre os movimentos corporais passados pelo professor querendo saber se a sua coluna vertebral seria benificiada com aquela posição, ou não. A menina de mentalidade receptora e superior ainda formaria parte de um trio dentro do seu grupo e tentaria dar as ordens do exercício aos dois outros sem escutá-los. Emitiria também ao final a primeira visão do que teria achado do exercício. Por ter dezenove anos de idade, ela teria dito que aprendeu em casa, ou nos modos de tratamento entre si dos seus familiares a ser tão 'despachada' como alguém a caracterizou. 'Todo mundo lá em casa é assim', dizia alto. O que acontecia fora da sua casa não existia ainda, porquê ela ainda aos dezenove estava em fase de formação mental, sem prática de trabalho ou vivência independente. Comparada aos dezenove anos de outros jovens em outros mundos, já estava até bem defasada mentalmente. Provavelmente, assim continuaria até os seus vinte e cinco anos de idade ou mais: uma gerente de uma 'empresa' familiar. Não era em tudo desprovida de sentimento pelo social de classe mais baixa que a sua. Sentia até uma 'pena' da vida dura dos outros. Mas, enfim, não sentia pena o suficiente para recusar uma pedrinha de gelo a mais, ou qualquer outra coisa maior que a tentassem oferecer. Alguém a perguntou se ela entendia o verbo usurpar. Ela confundiu-se na resposta, e quase a acertou no significado. A ruiva era o exemplo comum do desperdício da sua própria cidade. Fosse em uma pedrinha de gelo, fosse em um resto de comida no prato, fosse em uma oportunidade que a outrem teria servido melhor do que a ela mesma. Ela tinha vindo ao mundo para ruivasuperioramente usufruir de todas as possibilidades que a oferecessem. E não sairia nunca perdendo. Nem mesmo uma mera pedrinha de gelo em um suco de laranja.
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