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- Maria Sobral
- É cantora, compositora, atriz e jornalista nordestina. É seduzida por palavras, filmes, sons, chances de dar a cara ao tapa, decolagens de aviões, cheiro de suor masculino, canções complexas, debates verbais, pensamentos ilícitos, baboseira sem compromisso, microfones e canetas. Todos os vídeos têm a autorização da mesma para a sua própria atuação. Convidados nos vídeos não se responsabilizam pelo conteúdo dos textos da autora e assinaram autorização de uso de imagem. Comentários não são necessários. Aceita parcerias literárias e musicais. Contato: mariasobralmaria@gmail.com
Tuesday, 1 February 2011
Há Sempre Uma Luz No Fim Do Túnel
É simples
Azul como a companhia de tu
Tudo se resolve em si
Depois do desespero o
Que fica nú
É a luz
Nada meio termo
Nada pouco esmo
Se sóis rés
Se és revés
O ritmo três (um, dois, AH!)
Por favor, mais uma vez
Solta uma luz
Vira, dá um plus
Presea en el amor
C'est finie la douleur
Aparece com definição
Acaba esse bater com a mão
Na subida vem o chão
Na subida vem a intenção
Pouco ou muito, o que sobe
É o que se enobre
Tua vez, ou não
Sobe, meu irmão!
Thursday, 16 December 2010
Senseless Linen!
Shakespeare's 'Cimbeline' extract _ Seen on video_ João Grembecki: Maria Sobral: Brian Stirner - RADA, UK.
Happier therein than I.
And that was all?
Thou shouldst have made him
As little as a crow, or less, ere left
To after-eye him
I would have broke mine eye-strings, crack'd them, but
To look upon him
I did not take my leave of him, but had
Most pretty things to say
Or ere I could give him that parting kiss
Betwixt two charming words, comes in my father
And like that tyrannous breathing of the north
Shakes all our buds from growing
Those things I bid you do, get them dispatch'd
I will attend the queen
Thursday, 14 October 2010
'Preste Se Ao Seu Ofício'
câmera_ Niti Merhej, Fabio Almeida._. vozes_ Grupo de Videopoesia Casa das Rosas
'Você é um corpo, nada mais que um corpo. Abstenha se dessa emoção, dessa busca por compaixão, busca pela humildade alheia. O seu ofício é ser um corpo que obedece ao comando de algo que talvez nem entenda. E nem deve entender, somente obedeça'. E o corpo subia e descia, rodopiava, encolhia, contraía, expandia e movia se seguindo às ordens. Não havia ninguém ali, o algoz era imaginário, porém criativo. O corpo queria a criatividade e submetia se ao que viesse pelo caminho. Ainda que o nó no pescoço esteticamente fosse perfeito, a sensação sufocava. Queria falar, e 'não pode falar. você não está aqui para isso'. E o modelo vivo na aula de arte era somente um corpo escolhido entre tantos outros para ser um corpo. Ao fim de 35 minutos de exposição, o corpo, com sorte, teria o oferecimento de um café por parte de um dos seus observadores, para continuar por mais 35 minutos outra rodada de exibição silenciosa. Desta vez, uma menina mais doce ofereceu um chá verde com ginseng. 'Uma bomba de energia natural', ela advertiu. Ele tentou o diferente, experimentar a solicitude ao invés do esporro. Ficou contente, o chá revigorou com mais certeza, por ter sido oferecido com mais amor. Entendeu o valor do sentimento sólido, que preenchia. Quis mais, e aí pode falar. Disse que queria 'mais'. 'Vamos nos ver outra vez? Mais um pouco?', pediu. Recebeu um olhar e um sorriso que não expressavam nem um 'talvez'. Simplesmente, evocavam contentação sem resposta. Jogaram os copos plásticos no lixeiro'plástico'reciclável e voltaram às suas posições tendo como meio de ligação o corpo. O corpo que pertencia a ele, o corpo que ela observava e desenhava com atenção. Somente um corpo. Sem emoção, sem olhar, sem nada o que dizer. Somentesó um corpo.
Wednesday, 13 October 2010
Dirigia A Vida Dela Como Dirigia Um Filme
câmera_ Lara Zanatta .-. aparição vídeo_ Philippe Barcinsky, Maria Sobral, Zé Padilha, Shedi
Marcava os passos, os gestos, consertava as suas falas, pedia uma repetição de ação sem cansaço, retocava a sua face, e justificava: é para fazê-la melhor. Ela até gostava. Não da obsessão alheia, mas de transgredir a mesma. Adorava fugir e quando o aramado e a atenção redobrava, ela fugia para o mais longe possível. Sutilmente. Ele, ao redor, sempre procurando e ela sempre falsamente atendendo às suas perguntas. Dissimulação era a chave de tudo. A vida paralela criada por ela certamente o enlouqueceria, àquele louco-mor, experimentado pelo mundo, desbravador de califórniasrolls e tragos de meias noites. A razão era dele, no entanto, e restava à ela a fuga, embuída do código, do mistério. E absorveu o hábito de muito por costume mentir. Discutia todas as suas conversas mentirosas com apuro de pensamento, tinha designado para si a políticaideologia de vida do raro acesso à verdade. Todos diriam que a conheciam muitíssimo bem, inclusive ele, o seu mais íntimo lado. E ela saberia quem disse o quê do seu pormenor detalhe pessoal através da mentira repassada. Identificaria a fonte da informação imediatamente, sem remorsos. Não queria dar amostras de verdade a ninguém que não fosse suprasumamente selecionado, 'fodam-se estes achistas todos!'. Choraria se preciso para defender a mentira, com veemente dissimulação. E com sua máquina fotográfica sairia à procura do que queria, escondendo as revelações em papel fosco debaixo da cama em horários premeditados, de acordo com a 'loucura' rotineira do lado íntimo. Aquele seu lado onipresente, controlador, ignorante e estimulante que tinha horários de cerco previsíveis e monitoráveis e, na verdade, não sabia nada de nada. E pensava que sabia tudo. Reinava aí, sim, a mais deliciosa, secreta e perversa observação.
Wednesday, 22 September 2010
DEsconheciDO
Nesse Desdém Com O Nó Feito
'Desconoces' O Efeito
De Com Voz O Desconhecido
Este Teu Desconhecimento
E Se Me Conhecesses
Saberias Quantos 'Esses'
Eles Seriam De Longe
E O Pouco Encanto Que Os Tange
Não Conheces Bem Meu Rosto
Olhas De Soslaio, Amuado, Em Desgosto
Só Porquê Não Conheces Bem Uma
Ou Porquê Não Sabes Para Onde Isto Ruma
Desconheces O Sentimento
Inventas Desculpas Sem Nenhum Intento
Frio, Loopapático, Desconhecido
Só Para Não Ter O Nosso Ungido
Foges Para Onde Eu Não Conheça
Adiantas Todas Tuas Estranhezas
Fazes Desafio De Papo Em Decassílabos
Pura Barreira Falsa De Estribilhos
E Se Tentas Conhecer O Que Não Sabes?
Porventura Eu Te Encontro Até Em Outra Cidade
O Desconhecido, Sabes, Não É Intangível
Se Acreditares Pode Até Ser Incrível
'Desconoces' O Efeito
De Com Voz O Desconhecido
Este Teu Desconhecimento
E Se Me Conhecesses
Saberias Quantos 'Esses'
Eles Seriam De Longe
E O Pouco Encanto Que Os Tange
Não Conheces Bem Meu Rosto
Olhas De Soslaio, Amuado, Em Desgosto
Só Porquê Não Conheces Bem Uma
Ou Porquê Não Sabes Para Onde Isto Ruma
Desconheces O Sentimento
Inventas Desculpas Sem Nenhum Intento
Frio, Loopapático, Desconhecido
Só Para Não Ter O Nosso Ungido
Foges Para Onde Eu Não Conheça
Adiantas Todas Tuas Estranhezas
Fazes Desafio De Papo Em Decassílabos
Pura Barreira Falsa De Estribilhos
E Se Tentas Conhecer O Que Não Sabes?
Porventura Eu Te Encontro Até Em Outra Cidade
O Desconhecido, Sabes, Não É Intangível
Se Acreditares Pode Até Ser Incrível
Tuesday, 21 September 2010
Meu Calor
Meu Calor
???????
Está
Vc
??????
Ando, Ando, Ando, Ando
A Pé
Aos Pés
Ando, Ando, Ando, Ando
Passo Mal!!!
E Nada
?
Thursday, 16 September 2010
O Cheiro De Breu
Era dele. O violinista era emocionante. Tinha aprendido com o seu professor infantil que nenhuma perturbação o tiraria da linha musical. E assim foi sempre de uma concentração extrema para a arte. Nenhuma porta alheia aberta à desventura o tiraria do seu prumo musical. Ritmicamente, ele tinha um pé sempre a diposição em compasso simples quatro por quatro. Bastava-lhe. Andava timididamente pelas ruas, pegando ônibus por falta de luxo, e as meninas o ignoravam. Ele não era sensível para o sensual. Era sensível para a arte. A arte e os artistas o reconheciam como promissor. Não as meninas. Aquela trouxinha de pano sintético envolvida em breu Pirastro estava em mãos como digitais. O cheiro impresso como definitivo. Seu violino quatro por quatro não tocava maravilhas mas era um vintage russo. Uma relíquia. O arco não era original mas ninguém notaria isso caso ele estudasse um pouco mais e fosse mais rápido e ágil na sustentação do braço. Os minuetos de Bach tinham pouca importância, mas na escola ele adorava mostrar uma partitura aos mais sabidos e perguntar se ao começar daquela música o arco iria rumar para cima, ou para baixo. Era o crucial do musical para o instrumento, a técnica do artista. A sincronização do movimento é imprescindível para ele, o pequeno violinista. Afinal, qualquer arte que envolva corpo, e não somente mente, começa-se cedo. O violinista ganhou uma bolsa e do Nordeste foi diretamente para Zurique, Suíça. Poucos entenderam. Mas, também ínfimos estudaram. Então, não havia o que entender. Na estratégia do violinista não havia a divindade de nenhum santo envolvida. Havia apenas a dedicação, a ignorância dos sons alheios, a coreografia dos movimentos de arco, e o sentimento pelas notas. Aí, sim. Ela poderia fechar os olhos, estudar oito horas por dia, esfolar seus dedos, não ter unhas, chorar ao não conseguir uma nota dedilhada sem a devida marcação, insistir um pouco mais e dormir. Ao acordar, ele sentiria um silêncio insuportável, comeria, leria, estudaria e não saberia o que faltava. Até que tocasse..... E tudo faria sentido outra vez.
Monday, 6 September 2010
Não Haveria Ensaio, Trabalho Ou Estudo
vídeo_ grupo de estudos Capobianco - Intercâmbio Sinisterra
Que tirasse da mente daquela mulher o pequeno livro dos 'Coquetéis Oficiais'. Aquele pequeno livro um dia mostrado pelo bartender do estabelecimento do seu noivo era a sua atual obsessão. Desde que tinha chegado de Salvador e tentava ser o que realmente queria ser dedicava-se ao seu crescimento pessoal e até tinha outros livros mais importantes na cabeça. Porém, também desde a chegada daquele comerciante da boêmia em sua vida, com seus livros acompanhados de uísque lidos no balcão de mármore do seu estabelecimento intelectual, a leitura mínima tinha tomado uma proporção estrondosa entre ofertas de drinks e beijos. A obsessão não foi por sua vocação em apreciar a leitura de qualquer texto, inclusive a explicativa dos drinks, e sim pela representação do domínio que aquele livro exercia no negócio do seu noivo. O mesmo já estava empreendido em outros negócios com aquele indo já tão bem. Drinks ainda representavam grande parte do lucro da bar. E ela, perdendo território e atenção antes mesmo do casamento oficial, desesperava-se achando que o manual 'Coquetéis Oficiais' seria o retorno de sua glória. Glória de noiva e futura mulher indispensável. Na leitura dinâmica daquelas folhas notou que não havia um drink feito de suco de beterraba no manual de químicas tragáveis oficial. Perguntava ao bartender se ele teria um outro conhecimento de um drink feito com o suco da beterraba, enquanto o noivo ao seu lado realmente preocupava-se com o caixa, as cadeiras vazias e a administração das mesas do bar. Além da aparência das outras mulheres que frequentavam o seu lugar intelectual. Por insegurança, largou todos os ensaios, trabalhos, estudos, buscas da verdade pessoal para uma intensa semana de 'estágio' nos negócios do noivo. Planejava ser a dona do contracheque daquele futuro lar, quando o mesmo existisse, planejava prender o seu homem através do que para ele era importante, o tal fluxo do caixa. Depois dessa semana, resolveu assumir a gerência temporária do lugar e tornava-se a hostess mais baiana, decotada, intelectualizada, brasileira e agradável daquele lugar. E poucos eram os tempos em que se sentava ao balcão acompanhando o noivo em leituras laceadas de uísque, margarita e mojito. O bartender, outrora amigo, agora odiava a nova gerente que ainda tentava a inovação do drink de beterraba às vezes rindo do fato de que nem o dono do lugar aguentava aquela obsessiva de bolsa enorme a tiracolo e idéias muito delegáveis, contudo pouco executáveis. Nem notava que de nada tinha adiantado a resolução em aprender todos aqueles drinks, misturas, químicas. Era inútil. O que antes era um esforço de amor, companheirismo tinha tornado-se a obrigação de trabalhar para o que ainda não tinha feito dela o que a modos antigos diria-se 'uma mulher honesta'. Enquanto fechava aquele caixa todas as noites, imaginava onde estaria o verdadeiro dono daquele lugar e do seu sentimento deixando mensagens educadas, calmas e desesperadas de 'por favor, liga para mim' nas três caixas postais do outrora amante atencioso. Pensava agora em pedir sociedade do lugar, e tinha a curiosidade consigo mesma de saber se esse pedido poderia ser feito antes ou depois do tal prometido casamento, com medo que isso fosse talvez a ruína dos seus planos. E enquanto isso, presa ao balcão do bar que tanto quis comandar outras vezes, imaginava onde estava o que a oferecia os mais lindos drinks e a levava para casa ébria após a leitura em público de dez agradáveis páginas dos livros que realmente significavam o seu máximo pessoal. Sentia falta do ensaio, do trabalho árduo não remunerado, do estudo e lamentava. Olhou-se no espelho e viu o que era agora. Uma mera dedicadíssima gerente de bar que desesperadamente, e às vezes, dormia com o dono ausente. E assim foi o início do que viria por anos e anos de trapaça e golpes. E assim foi o início do caixa dois...
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