Tuesday, 23 August 2011

SiLênCio!



amigos que andavam fazendo arte em silêncio pela estrada, resolveram fazer algum barulho juntos... DUO+

Tuesday, 1 February 2011

Há Sempre Uma Luz No Fim Do Túnel



É simples
Azul como a companhia de tu
Tudo se resolve em si
Depois do desespero o
Que fica nú
É a luz

Nada meio termo
Nada pouco esmo
Se sóis rés
Se és revés
O ritmo três (um, dois, AH!)
Por favor, mais uma vez

Solta uma luz
Vira, dá um plus
Presea en el amor
C'est finie la douleur
Aparece com definição
Acaba esse bater com a mão

Na subida vem o chão
Na subida vem a intenção
Pouco ou muito, o que sobe
É o que se enobre
Tua vez, ou não
Sobe, meu irmão!

Thursday, 16 December 2010

Senseless Linen!



Shakespeare's 'Cimbeline' extract _ Seen on video_ João Grembecki: Maria Sobral: Brian Stirner - RADA, UK.

Happier therein than I.
And that was all?
Thou shouldst have made him
As little as a crow, or less, ere left
To after-eye him
I would have broke mine eye-strings, crack'd them, but
To look upon him
I did not take my leave of him, but had
Most pretty things to say
Or ere I could give him that parting kiss
Betwixt two charming words, comes in my father
And like that tyrannous breathing of the north
Shakes all our buds from growing
Those things I bid you do, get them dispatch'd
I will attend the queen

Thursday, 14 October 2010

'Preste Se Ao Seu Ofício'



câmera_ Niti Merhej, Fabio Almeida._. vozes_ Grupo de Videopoesia Casa das Rosas

'Você é um corpo, nada mais que um corpo. Abstenha se dessa emoção, dessa busca por compaixão, busca pela humildade alheia. O seu ofício é ser um corpo que obedece ao comando de algo que talvez nem entenda. E nem deve entender, somente obedeça'. E o corpo subia e descia, rodopiava, encolhia, contraía, expandia e movia se seguindo às ordens. Não havia ninguém ali, o algoz era imaginário, porém criativo. O corpo queria a criatividade e submetia se ao que viesse pelo caminho. Ainda que o nó no pescoço esteticamente fosse perfeito, a sensação sufocava. Queria falar, e 'não pode falar. você não está aqui para isso'. E o modelo vivo na aula de arte era somente um corpo escolhido entre tantos outros para ser um corpo. Ao fim de 35 minutos de exposição, o corpo, com sorte, teria o oferecimento de um café por parte de um dos seus observadores, para continuar por mais 35 minutos outra rodada de exibição silenciosa. Desta vez, uma menina mais doce ofereceu um chá verde com ginseng. 'Uma bomba de energia natural', ela advertiu. Ele tentou o diferente, experimentar a solicitude ao invés do esporro. Ficou contente, o chá revigorou com mais certeza, por ter sido oferecido com mais amor. Entendeu o valor do sentimento sólido, que preenchia. Quis mais, e aí pode falar. Disse que queria 'mais'. 'Vamos nos ver outra vez? Mais um pouco?', pediu. Recebeu um olhar e um sorriso que não expressavam nem um 'talvez'. Simplesmente, evocavam contentação sem resposta. Jogaram os copos plásticos no lixeiro'plástico'reciclável e voltaram às suas posições tendo como meio de ligação o corpo. O corpo que pertencia a ele, o corpo que ela observava e desenhava com atenção. Somente um corpo. Sem emoção, sem olhar, sem nada o que dizer. Somentesó um corpo.

Wednesday, 13 October 2010

Dirigia A Vida Dela Como Dirigia Um Filme



câmera_ Lara Zanatta .-. aparição vídeo_ Philippe Barcinsky, Maria Sobral, Zé Padilha, Shedi

Marcava os passos, os gestos, consertava as suas falas, pedia uma repetição de ação sem cansaço, retocava a sua face, e justificava: é para fazê-la melhor. Ela até gostava. Não da obsessão alheia, mas de transgredir a mesma. Adorava fugir e quando o aramado e a atenção redobrava, ela fugia para o mais longe possível. Sutilmente. Ele, ao redor, sempre procurando e ela sempre falsamente atendendo às suas perguntas. Dissimulação era a chave de tudo. A vida paralela criada por ela certamente o enlouqueceria, àquele louco-mor, experimentado pelo mundo, desbravador de califórniasrolls e tragos de meias noites. A razão era dele, no entanto, e restava à ela a fuga, embuída do código, do mistério. E absorveu o hábito de muito por costume mentir. Discutia todas as suas conversas mentirosas com apuro de pensamento, tinha designado para si a políticaideologia de vida do raro acesso à verdade. Todos diriam que a conheciam muitíssimo bem, inclusive ele, o seu mais íntimo lado. E ela saberia quem disse o quê do seu pormenor detalhe pessoal através da mentira repassada. Identificaria a fonte da informação imediatamente, sem remorsos. Não queria dar amostras de verdade a ninguém que não fosse suprasumamente selecionado, 'fodam-se estes achistas todos!'. Choraria se preciso para defender a mentira, com veemente dissimulação. E com sua máquina fotográfica sairia à procura do que queria, escondendo as revelações em papel fosco debaixo da cama em horários premeditados, de acordo com a 'loucura' rotineira do lado íntimo. Aquele seu lado onipresente, controlador, ignorante e estimulante que tinha horários de cerco previsíveis e monitoráveis e, na verdade, não sabia nada de nada. E pensava que sabia tudo. Reinava aí, sim, a mais deliciosa, secreta e perversa observação.

Wednesday, 22 September 2010

DEsconheciDO

Nesse Desdém Com O Nó Feito
'Desconoces' O Efeito
De Com Voz O Desconhecido
Este Teu Desconhecimento

E Se Me Conhecesses
Saberias Quantos 'Esses'
Eles Seriam De Longe
E O Pouco Encanto Que Os Tange

Não Conheces Bem Meu Rosto
Olhas De Soslaio, Amuado, Em Desgosto
Só Porquê Não Conheces Bem Uma
Ou Porquê Não Sabes Para Onde Isto Ruma

Desconheces O Sentimento
Inventas Desculpas Sem Nenhum Intento
Frio, Loopapático, Desconhecido
Só Para Não Ter O Nosso Ungido

Foges Para Onde Eu Não Conheça
Adiantas Todas Tuas Estranhezas
Fazes Desafio De Papo Em Decassílabos
Pura Barreira Falsa De Estribilhos

E Se Tentas Conhecer O Que Não Sabes?
Porventura Eu Te Encontro Até Em Outra Cidade
O Desconhecido, Sabes, Não É Intangível
Se Acreditares Pode Até Ser Incrível

Tuesday, 21 September 2010

Meu Calor



Meu Calor
???????
Está
Vc
??????

Ando, Ando, Ando, Ando
A Pé
Aos Pés
Ando, Ando, Ando, Ando

Passo Mal!!!

E Nada
?

Thursday, 16 September 2010

O Cheiro De Breu

Era dele. O violinista era emocionante. Tinha aprendido com o seu professor infantil que nenhuma perturbação o tiraria da linha musical. E assim foi sempre de uma concentração extrema para a arte. Nenhuma porta alheia aberta à desventura o tiraria do seu prumo musical. Ritmicamente, ele tinha um pé sempre a diposição em compasso simples quatro por quatro. Bastava-lhe. Andava timididamente pelas ruas, pegando ônibus por falta de luxo, e as meninas o ignoravam. Ele não era sensível para o sensual. Era sensível para a arte. A arte e os artistas o reconheciam como promissor. Não as meninas. Aquela trouxinha de pano sintético envolvida em breu Pirastro estava em mãos como digitais. O cheiro impresso como definitivo. Seu violino quatro por quatro não tocava maravilhas mas era um vintage russo. Uma relíquia. O arco não era original mas ninguém notaria isso caso ele estudasse um pouco mais e fosse mais rápido e ágil na sustentação do braço. Os minuetos de Bach tinham pouca importância, mas na escola ele adorava mostrar uma partitura aos mais sabidos e perguntar se ao começar daquela música o arco iria rumar para cima, ou para baixo. Era o crucial do musical para o instrumento, a técnica do artista. A sincronização do movimento é imprescindível para ele, o pequeno violinista. Afinal, qualquer arte que envolva corpo, e não somente mente, começa-se cedo. O violinista ganhou uma bolsa e do Nordeste foi diretamente para Zurique, Suíça. Poucos entenderam. Mas, também ínfimos estudaram. Então, não havia o que entender. Na estratégia do violinista não havia a divindade de nenhum santo envolvida. Havia apenas a dedicação, a ignorância dos sons alheios, a coreografia dos movimentos de arco, e o sentimento pelas notas. Aí, sim. Ela poderia fechar os olhos, estudar oito horas por dia, esfolar seus dedos, não ter unhas, chorar ao não conseguir uma nota dedilhada sem a devida marcação, insistir um pouco mais e dormir. Ao acordar, ele sentiria um silêncio insuportável, comeria, leria, estudaria e não saberia o que faltava. Até que tocasse..... E tudo faria sentido outra vez.